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domingo, 16 de março de 2014

Quando eu me apaixonar...

Depois de anos dizendo "e quando eu conhecer alguém?", eu conheci alguém.

Eu não vou conseguir. Ou vou acabar contando sobre minha soropositividade em questão de dias, ou vou não dar sequência, abrir mão, e sumir.

É complicado porque o rapaz tem sido uma pessoa tão maravilhosa... e dai eu fico me sentindo tão bem, como se eu estivesse sendo recompensado depois de tanto tempo sem sentir nada por ninguém. Claro que tem o fato de que eu também não estive procurando alguém esse tempo todo. Apareceu, como dizem por ai.

Por outro lado, não acredito em segredos. Não desses. Posso prejudicar a vida de uma pessoa de um modo irreversível. Seria muito egoísmo meu. Não conseguirei transar com ele sem pensar nessa questão durante todo o tempo. Não vai ter espaço pro prazer entre minha consciência, a preocupação, e o egoísmo.

Obviamente tenho lido bastante sobre casais sorodiscordantes, toda a questão da transmissão em casos de carga viral indetectável, e não cogito transar sem preservativo nem com uma arma apontada para minha cabeça. Ainda assim, o segredo sobre algo assim não me parece uma opção.

Demorou pra que eu sentisse algo ou quisesse algo com alguém novamente. Talvez eu devesse deixá-lo ir... e ir em busca de algum soropositivo. Ou voltar a ficar bem só. As paixões, psicologicamente falando, são também transtornos. Não?

terça-feira, 10 de dezembro de 2013

De quatro no ato

Dia Mundial da Luta Contra a AIDS veio e não ouvi muito barulho. "Eles estão surdos" mesmo?

Enquanto isso, uns bem vivendo. Outros, mal sobrevivendo.

São quatro anos desde que me descobri (tornei-me) soropositivo. Não vai ter cura.

Li pela milésima vez um artigo, esses dias, que fala sobre a máfia da indústria farmacêutica. A mesma bobagem de sempre: tudo planejado; AIDS não existe/não mata, Ronald Reagan era um extraterrestre... até quando vamos ser expostos a esse tipo de leitura tão rasa e emburrecedora?

Cresceu drasticamente o número de pessoas que conheço e que são portadoras do "vírus mais letal do planeta", como eu gosto de pensar. Sim, faz com que, certo modo, eu me sinta como um espião em missão ultra secreta. Onde quer que eu esteja, sou uma arma ambulante. O mundo me teme. Ai de ti se em tu eu encosto ou ponho as mãos!

Menino jovem com quem eu tive uma relação há uns meses. Nos falamos recentemente via Skype. Do nada, se abriu e me disse estar com HIV. Segundo ele, a vida continua a mesma. Sem drama, sem traumas, sem perspectivas.

Não me abri. Nunca me abro. Deve ser por causa das malditas perspectivas. Não sei se as tenho. Ou a que aspiro. Descobrindo, talvez a coisa toda mude. Só talvez.

Outro, de longa data, ressurge no Skype, também. "Olá, como vai?" perguntei. "Com HIV" respondeu. Agora, aqui, sobram perspectivas. A mudança para um outro país, cursos que serão iniciados, a busca de mais um outro novo e eterno amor.

Não sei em qual desses dois perfis clássicos eu me encaixo mais. Prefiro sinceramente não estar em nenhum. Não desses. Não mais.

Tudo tão normal, tão regular... só preciso mesmo, muito, descobrir se minha falta de concentração e memorização se deve ao excesso ou à falta de perspectivas. E voltar a ter mais empolgação ou menos desânimo quando se tratar de buscar os remédios e fazer exames.

2014 e sua meia década. Pensando bem, uns nem duraram isso. Cara ou coroa?