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sexta-feira, 7 de abril de 2017

Up Close to Personal

Certas situações são mesmo íntimas e pessoais. 

Meu último namorado ficou a par da minha sorologia. Tenho quase certeza, depois de quase um ano pós término do namoro, que ele contou para outra pessoa, que contou para outra pessoa, que contou para outra pessoa, que...

Recentemente, estive conhecendo um rapaz (não sei precisar com exatidão se estamos juntos ainda ou não após a décima briga em questão de meses - dessa vez, com afastamento). O fato é que ele deu indícios de que "ouviu dizer" que eu poderia "ter algo". Omito. Vou continuar omitindo.

Meu médico uma vez me disse "ninguém precisa saber". Às vezes, é melhor ouvir a voz da experiência do que aquela voz que te manda falar sobre tudo como prova de honestidade e confiança. Honestamente? Tenho tomado a medicação religiosamente. Carga viral indetectável. Usamos preservativos sempre. Não consigo achar, depois da última confissão frustrada, que valha a pena. 

"Ah, mas e a paz consigo mesmo?" Essa paz, meu irmão, ela se vai da pior maneira quando seu segredo que te rende olhares tortos, desemprego e isolamento é exposto para completos desconhecidos.

Vale mesmo a pena? Eis a questão: se conto agora, assusto o rapaz. Se conto e ele não se assusta, vai que o namoro dura mais um mês e ele resolve espalhar por aí? Se espero uns meses para contar, ele vai se sentir traído, iludido, sacaneado. Omitir e prevenir - até porque sei lá eu por onde esse cara anda quando não está comigo, mesmo dizendo ser fiel - parece mesmo ser a melhor pedida sempre. Independente da sorologia de quem quer que seja.

Imagino que os possíveis leitores desse blog devam estar pensando "nossa, que mudança em apenas 8 anos! Cadê aquele homem responsável e preocupado?". Está aqui. Preocupado com o que pode vir a ser dele daqui mais 8 anos, se depender da maldade alheia. 

Sei que devo agir honestamente independente de como os outros ajam. Por ora, essa é a melhor precaução para ambos. Ou quem mais cruzar caminho. Aliás, devia ser essa (e foi) desde sempre. Aconteceu, infelizmente.

Talvez amanhã eu esteja com outro pensamento. Ou outra pessoa. Ou outro eu.


domingo, 11 de maio de 2014

Era cilada ou a cilada sou eu?

O namorinho não deu certo. Na verdade, não passou de um encontro. Dos mais românticos, tenho que admitir. Parecia aquela coisa que acontece com a gente quando somos adolescentes. A tensão de esperar a pessoa chegar em um lugar público, dai a conversa começa meio nervosa, meio ansiosa. A gente se segurando pra não falar uma besteira qualquer e perder a linha. Quando se vê, já está conversando como se fossem amigos de infância. Dai tem que esperar as luzes do cinema se apagarem para poder pegar na mão. Beijo ou não beijo? Espero ele me beijar? O filme acaba e todos vivem felizes para sempre? Até que o HIV os separe? Não chegamos a essa parte.

Apesar de meio romance que a descrição acima possa suscitar, não nos ligamos nem nos falamos no dia seguinte. Nem nos outros. Uma mensagem no Whatsapp perguntando se estava tudo bem fez com que um papo se estendesse por uns vinte minutos. As últimas palavras foram algo tipo "até logo e vê se não some". Sumimos.

Não chegamos a transar. Fomos, por uma noite, o par ideal. Homem um do outro. Humanos. O HIV não chegou a entrar na história.

Fim.

domingo, 16 de março de 2014

Quando eu me apaixonar...

Depois de anos dizendo "e quando eu conhecer alguém?", eu conheci alguém.

Eu não vou conseguir. Ou vou acabar contando sobre minha soropositividade em questão de dias, ou vou não dar sequência, abrir mão, e sumir.

É complicado porque o rapaz tem sido uma pessoa tão maravilhosa... e dai eu fico me sentindo tão bem, como se eu estivesse sendo recompensado depois de tanto tempo sem sentir nada por ninguém. Claro que tem o fato de que eu também não estive procurando alguém esse tempo todo. Apareceu, como dizem por ai.

Por outro lado, não acredito em segredos. Não desses. Posso prejudicar a vida de uma pessoa de um modo irreversível. Seria muito egoísmo meu. Não conseguirei transar com ele sem pensar nessa questão durante todo o tempo. Não vai ter espaço pro prazer entre minha consciência, a preocupação, e o egoísmo.

Obviamente tenho lido bastante sobre casais sorodiscordantes, toda a questão da transmissão em casos de carga viral indetectável, e não cogito transar sem preservativo nem com uma arma apontada para minha cabeça. Ainda assim, o segredo sobre algo assim não me parece uma opção.

Demorou pra que eu sentisse algo ou quisesse algo com alguém novamente. Talvez eu devesse deixá-lo ir... e ir em busca de algum soropositivo. Ou voltar a ficar bem só. As paixões, psicologicamente falando, são também transtornos. Não?