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domingo, 19 de novembro de 2023

Tudo torto

De ano em ano, exames e exames.

Aparentemente, me livrei da hepatite B. Um remédio a menos e a esperança de reduzir o coquetelzinho para apena um comprimido (+ o suplemento de vitamina D). Diz o médico que a hepatite B foi “retroconvertida”. Eis o tipo de conversão na qual eu acredito. Amém!

Por outro lado, a vida pós-pandêmica está cobrando um alto preço. A questão psicológica é uma loucura, literalmente. Então deixo de lado. Mas há todas as questões do corpo, do envelhecimento, do ócio e dos vícios. Resultado: quase todos os exames estão gritando um pedido de socorro. Tudo alterado: triglicérides, creatinina, uréia... uns para mais, outros para menos. Testosterona vai bem, carga viral e células T4 também. O mais preocupante: glicemia/glicose.

No último exame, seis meses atrás, houve uma enorme queda nessa taxa e eu fiquei MUITO feliz. Parecia estar longe da diabetes. Podia comer meus doces sossegado e ser a formiguinha de sempre. No último exame, um salto para cima nunca visto antes. Taxa provavelmente pré-diabetes. Meu médico dirá.

Mas claro que já recorri ao doutro Google e é certo que sim. Além dos fatores hereditários, o ócio. Meses sem praticar nenhum exercício, bebendo além da conta, dormindo muito. Deu no que deu e parece que nem assim eu mudo.

Já falei da loucura? Olha ela aí. Eu devia mudar. Eu sei o que é preciso fazer. Eu devia mudar em muito, em tudo, no entanto... nasci torto. Vou?

De ano em ano, exames e mais exames. Livrei-me, aparentemente, de ter que tomar um remédio para hepatite B. Pelo que o médico disse,

quinta-feira, 3 de maio de 2018

The Cure / A Cura

Hoje li (mais) uma matéria sobre a possível cura, que está prevista para até 2020.

Estou há quase 10 anos convivendo com o vírus. Li muitas matérias dessas, de estudos que estão "quase lá", que são muito promissores, que tratam de descobertas sobre como o vírus funciona/reage aos novos medicamentos e coquetéis... 

Há testes feitos em ratos, em macacos e em seres humanos. São Paulo, França, Cuba, Estados Unidos, Austrália. Cada vez a notícia vem de algum lugar diferente. Não raramente, os veículos que divulgam essas novidades não são muito conhecidos, ou não são muito confiáveis.

Não vivo procurando essas matérias, nem estou deixando de viver para ficar me preocupando com a cura que (ainda) não chegou. Mesmo que a descubram até 2020, como está acordado como tentativa entre alguns países, muito provavelmente vai levar um tempo até que eles comecem a tratar as pessoas. Esperei 10 anos. Espero mais 20.

O que me incomoda, a longo prazo, são os efeitos da medicação que tomo.

Tenho sentido dores nas pernas e temo que possa ser neuropatia por conta do medicamento. As alterações de humor sempre vêm com a suspeita de que seja depressão e/ou ansiedade também por conta e/ou agravada pelo meu status sorológico. Sei lá até que ponto meu inconsciente está agindo quanto a isso tudo desde sempre.

Que bom, como já escrevi aqui uma vez, que existe remédio para gente. Mas seria ótimo que a cura chegasse (para quem vive bem como eu, e para quem sofre muito com esquemas mais pesados e complexos de medicação). Seria (ou "será"?) enfim a libertação de um crime que não cometemos.

Se por um lado, muita gente deixa de se prevenir atualmente por achar que "AIDS é igual diabetes: basta tomar um comprimido por dia e está tudo bem", é muito bizarro o quanto palavras como "HIV", "AIDS" e "soropositivo" suscitam preconceitos e reações em muitas pessoas. A desinformação sobre tudo (contágio, tratamento, convívio) é absurdamente imensa. Muita gente ainda está nos anos 80.

Quem se assume ainda paga um preço que eu considero alto demais por conta de algo tão... comum... eu acho. "Comum" é uma palavra interessante. Se as pessoas ao menos cogitassem quantas pessoas do convívio delas são soropositivas... talvez, apenas talvez, o preconceito fosse menor. Ou não, né? Os LGBTT têm tido cada vez mais visibilidade. No entanto, algumas pessoas parecem até hoje não se conformar com a existência dessas pessoas sendo o que elas são. Imagina quanto a um vírus que muita gente ainda enxerga como punição, castigo.

Para certas coisas, parece, a cura está bem distante.

domingo, 4 de setembro de 2016

Ground Control to Major Tom...

Os exames têm vindo normais. Algumas alterações no que eu creio serem sinais da idade. Sete anos se passaram desde que fui diagnosticado. É incrível como o tempo passa. E como eu achava que a cura já teria aparecido. Quão arrogante, não?

Nada de cura. A combinação de remédios que tomo ainda é a mesma. Meu médico está pensando em se aposentar. Todo ano, desde o ano que me descobri soropositivo, apareceram notícias de possível cura ou novos tratamentos revolucionários. Temo que não viveremos para ver.

Carga viral indetectável e saúde tranquila já bastam. Sem colaterais, o que é melhor. Ou talvez essa ansiedade e melancolia que às vezes atacam sejam efeitos. Nunca saberei.